Alguns pensam, na igreja de hoje, que a função apostólica desapareceu da Igreja com o desaparecimento dos apóstolos da igreja primitiva, em que pesem as evidências bíblicas e históricas a respeito. Outros afirmam que um requisito para que o ministério apostólico, é que o apóstolo deve ter visto o Senhor ressurreto, ou que, uma vez colocado o fundamento histórico, ou terminados os livros do Novo Testamento, não há mais necessidade de apóstolos.
Um estudo mesmo superficial de Efésios 4.11-16, porém, indica claramente a necessidade do ministério apostólico (bem como os dos profetas, evangelistas, pastores-mestres) durante toda a existência da igreja. Mas ainda, 1 Coríntios 12.28 expressa com firmeza as características que são próprias da igreja em todo o tempo, isto é, sua unidade corporativa, a diversidade de dons e ministérios etc., entre as quais se encontra o ministério apostólico.
Neste estudo, estamos apontando alguns aspectos relevantes sobre este ministério: o ministério apostólico de Jesus, os doze apóstolos de Jesus e os demais apóstolos do Novo Testamento, avaliação do ensino bíblico sobre os apóstolos, os elementos principais do ministério apostólico e sua relação com os outros ministérios
Vejamos.
I. O Ministério Apostólico de Jesus
A. Jesus veio como o grande Enviado (Apóstolo) do Pai para todo o mundo (Hb 3.1; Jo 6.29,57; 8.42; 17.3,18; 20.21). As características de sua obra apostólica são:
1. Jesus foi enviado com uma missão especial: a nossa redenção (Lc 19.10);
2. Jesus formou os líderes do novo povo – a igreja (Mc 3.14);
3. Jesus deu origem e fundamento à igreja (Mt 16.18).
B. Jesus formou doze homens como apóstolos e assim os denominou (Lc 6.13);
1. Ele mesmo os comissionou; não eram simples voluntários (Mt 10.1-5);
2. Jesus deu prioridade à escolha dos doze (Mc 3.13); Jesus considerava importante todo relacionamento dos doze com Ele (Mt 28.18-20; Mc 3.13-19; 16.14-16; Lc 24.44-49; At 1.2,3).
II. Os Doze na Igreja Primitiva e os Outros Apóstolos do Novo Testamento
A. Os Doze:
1. Desde o princípio presidiram a nova comunidade, com toda a autoridade (At 2.42; 4.32-37; 5.1-16; 6.1-7);
2. Foram responsáveis pela doutrina e formação da igreja (At 2.42; 5.28).
3. Reconheceram sua plena dependência do Espírito Santo (At 1.8; 2.32,33; 4.8-12, 18-20);
4. Usando as chaves do Reino (Mt 16.19), assumiram a responsabilidade de abrir acesso ao Reino, primeiro aos judeus e, depois, aos samaritanos e gentios (At 2 , 8, 10).
5. B. Outros apóstolos do Novo Testamento:
Além dos doze (com Matias em lugar de Judas Iscariotes: At 1.15-26), o Novo Testamento nos conta de outros apóstolos na Igreja Primitiva: Paulo (At 14.14; Rm 1.1; 11.13; 1 Co 1.1); Barnabé (At 14.4,14); Tiago, o irmão do Senhor (Gl 1.19); Silvano (Silas) e Timóteo (1 Ts 1.1); Andrônico e Júnias (Rm 16.7); Epafrodito (Fl 2.25). Em outros casos, a palavra grega ‘apóstolo’ (Jo 13.16; 2 Co 8.23; Fl 2.25-?-) significaria simplesmente ‘mensageiro’ ou ‘enviado’, sem o sentido que o Novo Testamento dá à palavra ‘apóstolo’. Consideremos ainda neste ponto:
1. No caso de Paulo e Barnabé (At 13,14), estes foram comissionados pelos principais ministros (presbíteros?) de Antioquia, sob a expressa direção do Espírito Santo, para proclamarem o evangelho aos gentios e estabelecer igrejas.
2. Em Jerusalém, os apóstolos se reuniram aos presbíteros para resolverem questão muito importante com relação às igrejas gentílicas em toda parte (At 15).
3. Paulo é o grande exemplo de ministério apostólico em o Novo Testamento, estabelecendo igrejas, ensinando e formando discípulos, constituindo presbíteros, trabalhando com uma equipe variada de homens dotados de vários dons, resolvendo problemas disciplinares de conduta moral e prática nas várias igrejas, determinando o corpo essencial da doutrina cristã etc.
III. Aspectos Principais do Ministério Apostólico
1. Os apóstolos estão relacionados especificamente com a edificação da igreja e, principalmente, com seu fundamento (1 Co 3.9-13; 4.11-16; Ef 2.20). Receberam um comissionamento especial para, diante de certas igrejas ou áreas de trabalho, averiguarem a edificação da igreja e supervisionarem presbíteros que o fazem (At 20.17-25).
2. São responsáveis específicos quanto à oração e à Palavra (At 6.2-4).
3. Velam pela boa marcha das comunidades que estão sob sua responsabilidade e cuidado, mesmo que indiretamente e de longe (Rm 1.11; 2 Co 10.14; 11.1-5).
4. Podem intervir, em caso de disciplina por má conduta (1 Co 5; 2 Co 2).
5. São os responsáveis pela boa constituição de presbíteros,pastores,bispos,evangelistas, bem como pelo reconhecimento de outros ministérios que surgem na igreja (At 14.23; 16.1-3; 1 Tm 4.14; 2 Tm 1.6).
6. Determinam o conteúdo doutrinário de ensino nas igrejas (At 2.42; 20.26-32). O ministério apostólico posterior vela “pela fé que uma vez por todas foi entregue aos santos” (Jd 3; 2 Pe 1.12-15; 3.1,2).
7. Abrem novas fronteiras para a pregação do Evangelho e extensão do Reino de Deus (At 13,14; Rm 15.17-20; 2 Co 10.15-18).
8. Formam equipes de homens com ministérios variados, a fim de melhor realizarem seu ministério (At 16.1-3; 20.4; Tt 1.5), o que produz a formação de outros ministérios apostólicos.
9. Relacionam-se com outros apóstolos, em submissão mútua, a fim de que a obra se realize em unidade (At 15; Gl 2 1-10).
10. Provêem um sentido de relação e unidade entre as igrejas (At 15, 1 Co 16.1-2; 2 Co 9.1-3).
IV. Relacionamento com os ministros locais
No sentido estritamente bíblico, os presbíteros que presidem as igrejas locais funcionam sob autoridade apostólica. Na verdade, muitos problemas vieram sobre a igreja universal, pela carência da autoridade apostólica. A autoridade apostólica não pode ser imposta, mas, sim, adquirida e reconhecida, numa base de confiança. A atuação do ministério apostólico dependerá do nível de relação com os bispos ,presbíteros,pastores,evangelistas.
Os apóstolos não devem imiscuir-se em detalhes de administração local, a não ser que isto venha em detrimento da edificação. Uma exaltada preocupação com o “como” as coisas são feitas, pode ferir “o que” é feito e a boa intenção de fazê-lo. Se os apóstolos intrometerem-se na supervisão local, a não ser para corrigirem qualquer excesso, estarão tornando inócua a presidência dos ministros.
Estes, por sua vez, não devem agir em independência dos apóstolos, em doutrina, palavra, correção, disciplina etc. São-lhes submissos, como os membros da igreja local os são a eles. Especialmente na Palavra. E as igrejas sob a presidência dos presbíteros devem ser bem conscientes de que estes estão sob autoridade apostólica.
Apóstolos e presbíteros devem reconhecer constantemente que o governo da igreja pertence ao Senhor dos senhores, que em tudo intervém pelo Espírito Santo.
Na situação predominante nas congregações, os presbíteros,anciãos, pastores, evangelistas, etc. em sua maioria não estão acostumados a esse tipo de supervisão apostólica. Para muitos, é mesmo uma coisa indesejada. Isto acontece também pela arrogância de alguns que se intitulam “apóstolos”, diferenciando-os em hierarquia, de honras e aparências, esquecendo o que está em 1 Coríntios 4.9-13. Os apóstolos não precisam ser chamados apóstolos.
Precisam funcionar como tal, onde são reconhecidos nessa função.
A glória pertence ao Senhor da Igreja. A nós, a alegria de servi-LO!
domingo, 8 de agosto de 2010
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